Todo ano, as consultorias imobiliárias Savills e Knight Frank publicam seus relatórios de cidades prime globais — e as edições de 2026 trouxeram surpresas que estão reorientando a estratégia de investidores ao redor do mundo. O ranking não mede onde os imóveis são mais caros em termos absolutos: mede onde estão valorizando mais, onde a demanda supera a oferta e para onde os compradores ultra-qualificados estão direcionando capital neste exato momento.
A conclusão principal do Prime Residential World Cities Report da Savills, que analisou 30 cidades globais, é reveladora: em 2026, a valorização média de imóveis prime no mundo será de apenas 1,3%. Mas cinco cidades vão muito além dessa média — e conhecê-las é fundamental para qualquer investidor sério de alto padrão.
Seul: A Grande Surpresa do Ranking
A capital sul-coreana lidera o ranking de valorização de imóveis de luxo em 2026 com projeção de +6% a +8% — resultado de um mercado que já havia surpreendido em 2025 com +14% de valorização. Seul é a única cidade entre as 30 pesquisadas com previsão de crescimento acima de 6%, fruto de uma combinação de escassez de oferta em áreas nobres, demanda doméstica aquecida e entrada crescente de compradores internacionais atraídos pela força da cultura e da economia sul-coreana no cenário global.
O fenômeno de Seul ilustra uma tendência mais ampla: cidades asiáticas com economias dinâmicas e escassez estrutural de terreno prime estão consistentemente superando mercados ocidentais tradicionais. É a mesma lógica que explica, em outro contexto, a valorização acelerada de Balneário Camboriú no Brasil — ilha com restrições ambientais, demanda nacional crescente e escassez real de terrenos bem localizados.
Lisboa, Madrid e Tóquio: O Grupo dos 4%+
Logo atrás de Seul, quatro cidades projetam valorização entre 4% e 6% em 2026 — mais de três vezes a média global de 1,3%:
- Lisboa (Portugal): entrou no top 5 global de mercados prime mais atrativos. O investimento imobiliário em Portugal atingiu recorde de dez anos em 2025. A cidade atrai compradores por clima privilegiado, qualidade de vida elevada, regime fiscal favorável (NHR) e custo de vida competitivo para padrão europeu. Para os brasileiros, a conexão cultural e linguística torna Lisboa ainda mais especial e acessível.
- Madrid (Espanha): beneficia-se do influxo de capital latino-americano e do ambiente de negócios cada vez mais favorável. A capital espanhola consolidou-se como hub preferido para empresas e famílias de alto patrimônio que buscam estabilidade no Sul da Europa.
- Tóquio (Japão): o iene historicamente fraco tornou o imóvel japonês extremamente atrativo para estrangeiros, especialmente compradores americanos e europeus. A cidade oferece infraestrutura de classe mundial com preços ainda competitivos para o padrão global de metrópoles prime.
- Cidade do Cabo (África do Sul): destaque surpreendente do ranking, liderado por compradores internacionais atraídos por lifestyle excepcional, natureza incomparável e câmbio historicamente favorável.
"Esses dados do Savills são um mapa do tesouro para o investidor que pensa em diversificação. Quando você vê Lisboa valorizando 4-6% enquanto a média global é 1,3%, precisa entender o porquê — e avaliar seriamente se faz sentido para o seu portfólio. Na FGM, orientamos clientes que querem posicionar patrimônio no exterior com essa visão estratégica e embasada em dados."
Londres, Paris e Nova York: As Rainhas da Liquidez
Os mercados mais icônicos do mundo — Londres, Paris e Nova York — aparecem no ranking com projeções de crescimento mais moderadas (entre 1% e 3%), mas mantêm sua relevância por outro atributo fundamental: são mercados de liquidez extrema e comprovada. Um imóvel bem localizado em Mayfair, no Marais ou em Manhattan pode ser vendido a qualquer momento, em qualquer ciclo econômico. Para o patrimônio familiar de grande porte, essa liquidez tem um valor que transcende a valorização percentual anual.
Nova York registrou em fevereiro de 2026 a venda do penthouse triplex do 1122 Madison Avenue por US$ 89,5 milhões — novo recorde para o Upper East Side e a residência mais cara a entrar em contrato no ano na cidade. Miami, por sua vez, foi chamada pelo New York Times de "The New Gold Rush", com menos de 8 casas acima de US$ 50 milhões disponíveis para compra simultânea em fevereiro de 2026.
O Fator UHNWI: A Demanda que Sustenta Tudo
O que alimenta essa valorização em mercados tão distintos geograficamente? Fundamentalmente, o crescimento da população de ultra-ricos. O Knight Frank Wealth Report 2025 aponta que o número de UHNWIs — indivíduos com patrimônio acima de US$ 10 milhões — cresceu 4,4% globalmente em 2024, com a América do Norte liderando com +5,2%. A previsão do Knight Frank é que 30% da riqueza global estará concentrada em economias emergentes em breve — o que inclui diretamente o Brasil.
"Mais ricos no mundo significa mais demanda estrutural por imóveis de qualidade em todo o planeta. Isso não é uma bolha conjuntural — é uma mudança estrutural e permanente. E o Brasil está no centro disso: nossa elite está crescendo, ficando mais sofisticada e buscando ativos com padrão verdadeiramente global."
O Brasil no Contexto Global
Embora nenhuma cidade brasileira figure ainda no ranking da Savills — o relatório foca em mercados prime com dados comparáveis internacionalmente consolidados —, o comportamento do mercado nacional espelha com precisão as tendências globais. Balneário Camboriú é frequentemente comparada a Dubai, com projeção de dobrar o valor do m² até 2030. Florianópolis lidera o m² mais caro do Brasil na faixa de R$ 2 a R$ 4 milhões com R$ 22.918/m². São Paulo concentrou mais de R$ 28 bilhões em vendas de alto padrão em 2025.
O padrão se repete globalmente: cidades com escassez estrutural de terreno prime, crescimento econômico acima da média e atração de talento humano qualificado tendem a valorizar consistentemente acima da média do mercado. É a mesma lógica de Seul, de Lisboa, de Miami — aplicada à realidade de cada mercado local com suas particularidades.
"O que o Savills mapeia globalmente, nós mapeamos localmente com a mesma rigorosidade. Brasília tem todos os ingredientes para aparecer nesses rankings: capital federal, elite econômica e intelectual consolidada, segurança, qualidade de vida diferenciada e escassez crescente de terrenos bem localizados. O momento de posicionar patrimônio aqui é agora."
Fontes: Savills Prime Residential World Cities Report 2026 — The Real Deal, fev 2026; Knight Frank Wealth Report 2025 — Hubbis; Times of India / Knight Frank, 7 mar 2026; Robb Report / Curbed, fev 2026.



