IA & Proptech

AVMs: Precisão de 97% e o Fim das Estimativas 'no Olho' no Mercado Imobiliário

LF

Luiz Fernando Magalhães

CEO — FGM Imóveis

Por décadas, a precificação de imóveis funcionou como uma arte — uma combinação de experiência, intuição e comparação manual com outros imóveis da região. Um corretor veterano olhava para um apartamento, analisava o condomínio, caminhava pelo bairro e chegava a um número. Às vezes acertava. Às vezes errava por 15%, 20%, até 30%.

Esse modelo está sendo substituído. Não pela falta de valor da experiência humana, mas pela chegada de sistemas que processam centenas de variáveis simultaneamente, em segundos, com uma precisão que nenhum ser humano consegue alcançar sozinho.

O que são os AVMs e por que eles importam

AVM é a sigla para Automated Valuation Model — modelo de avaliação automatizada. Trata-se de um sistema baseado em machine learning que estima o valor de um imóvel cruzando dados de transações históricas, características físicas da propriedade, localização, infraestrutura do entorno, tendências de mercado, dados de IPTU e ITBI, e muito mais.

O resultado? Segundo o McKinsey Global Institute, as ferramentas de avaliação com IA entregam estimativas com margem de erro de apenas 3% — ou seja, uma precisão de 97%. Para comparar: estimativas tradicionais costumam oscilar entre 10% e 20% de imprecisão.

O Zestimate, da americana Zillow, é o AVM mais conhecido do mundo, cobrindo mais de 100 milhões de propriedades nos EUA. Sua margem de erro atual é menor que 1,9% para imóveis fora do mercado e cai para menos de 1% para imóveis em processo de venda. A plataforma usa redes neurais que processam dados de impostos, histórico de transações, características físicas, localização e tendências macroeconômicas.

"Durante anos, a avaliação de imóvel era 30% técnica e 70% negociação. Com AVMs, o processo ganha objetividade. O cliente chega com dados, o corretor chega com dados, e a conversa começa em um lugar muito mais honesto."
— Luiz Fernando Magalhães, CEO da FGM Imóveis

O que acontece quando você processa 400 variáveis

A plataforma HouseCanary, usada por investidores institucionais nos EUA, processa mais de 1.000 pontos de dados por imóvel para gerar suas avaliações — incluindo "índices de confiança" que indicam a solidez de cada estimativa. Já a CoreLogic mantém um banco de dados com 4,5 bilhões de registros cobrindo 99,9% da população americana, e usa esse histórico de mais de 50 anos para alimentar seus modelos preditivos.

No Brasil, a ferramenta que mais chama atenção é o QPreço do QuintoAndar, lançado em janeiro de 2025. A plataforma combina dados públicos (IPTU, ITBI), histórico de transações e imóveis comparáveis para gerar precificações precisas — e ainda oferece um "termômetro" que classifica o preço do imóvel como abaixo, dentro ou acima da média da região.

Os dados revelam uma distorção preocupante no mercado brasileiro: 37% dos imóveis para aluguel e 54% dos imóveis à venda estão listados acima do preço justo, segundo análise do próprio QuintoAndar. Uma pesquisa Datafolha mostrou que 2 em cada 3 brasileiros desistiram de fechar contrato por medo de pagar preço injusto, e que 84% encontram dificuldade em acessar informações precisas sobre preços.

A proptech israelense Propdo também chegou ao Brasil com investimento de USD 3 milhões, usando IA com centenas de fontes de dados — registros financeiros, localização, transportes, planejamento urbano — para prever o desempenho atual e futuro de imóveis residenciais. E o DataZAP analisa mais de 400 variáveis por imóvel, incluindo até sentimento em redes sociais, para determinar o preço ideal. O resultado: imóveis precificados com IA são vendidos 38% mais rápido.

A IA prevê tendências com 95% de precisão

Além da precificação pontual, os AVMs evoluíram para análise preditiva de mercado. Segundo a Precedence Research, a IA pode prever tendências de preço com 95% de precisão. O McKinsey aponta que ferramentas de análise de mercado com IA identificam tendências emergentes com 90% de precisão.

Na prática, isso significa que um corretor equipado com essas ferramentas pode dizer ao cliente investidor não apenas quanto vale um imóvel hoje, mas para onde esse valor tende a ir nos próximos 12 a 36 meses — com base em dados de infraestrutura, alvarás de construção, movimentos demográficos e indicadores econômicos locais.

"A FGM sempre trabalhou com dados. Mas agora os dados falam mais alto e mais rápido. Conseguimos orientar clientes com uma segurança que antes dependia de anos de experiência empírica. A IA não substitui o corretor experiente — ela o amplifica."
— Luiz Fernando Magalhães, CEO da FGM Imóveis

O que muda para compradores e vendedores

Para quem vende, a precificação correta desde o primeiro dia é crucial. Imóveis super-precificados ficam encalhados e perdem o momento de mercado. Imóveis sub-precificados deixam dinheiro na mesa. Com AVMs, o preço correto deixa de ser um chute educado e passa a ser uma estimativa fundamentada em dados reais.

Para quem compra, a transparência é o maior ganho. Saber que um imóvel está sendo ofertado por um preço justo — ou que há margem para negociação — muda completamente a dinâmica da negociação e reduz o medo de 'fazer mau negócio'.

A precificação inteligente não é apenas uma ferramenta de eficiência. É um instrumento de confiança. E no mercado imobiliário, confiança é a base de tudo.

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