Enquanto o mercado imobiliário convencional enfrentava os efeitos dos juros altos, o Brasil escreveu um capítulo inédito em 2025: o segmento de luxo e superluxo movimentou R$ 52,2 bilhões em vendas, batendo todos os recordes históricos do setor. São 10.607 unidades vendidas acima de R$ 2 milhões — um crescimento de 35% frente a 2024, segundo levantamento da Brain Intelligence publicado pela Forbes Brasil.
Os números, à primeira vista, podem parecer paradoxais. Com a Selic em dois dígitos, crédito caro e incertezas macroeconômicas, como é possível que o segmento mais caro do mercado tenha justamente acelerado? A resposta está no perfil do comprador de alto padrão.
"O mercado de luxo brasileiro opera em uma lógica completamente diferente do mercado convencional. O comprador do superluxo não está esperando a taxa de juros cair para comprar. Ele tem capital, tem liquidez, e enxerga o imóvel de qualidade como a melhor proteção do patrimônio que existe." — Luiz Fernando Magalhães, CEO da FGM Imóveis
Um quarto do mercado em valor — com apenas 3,75% das unidades
A dimensão do fenômeno fica ainda mais evidente quando se analisa a estrutura do mercado. O segmento de luxo representou apenas 3,75% do total de unidades negociadas no Brasil em 2025, mas respondeu por 29,4% de todo o valor transacionado. É o que os economistas chamam de concentração de valor: um volume pequeno de operações que move uma fatia enorme do dinheiro.
O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com recordes gerais: foram 453.005 unidades lançadas (+10,6%) e 426.260 vendidas (+5,4%), totalizando R$ 264,2 bilhões em VGV, segundo a CBIC. Dentro desse universo, o luxo foi o motor de crescimento mais expressivo. No lado da oferta, os lançamentos também aceleraram: 11.696 novas unidades de luxo foram colocadas no mercado — alta de 36% frente ao ano anterior.
São Paulo na liderança — mas o Brasil inteiro aquece
São Paulo concentrou mais da metade das vendas de luxo do país, com R$ 28 bilhões transacionados só na capital paulista, conforme o Estadão. O metro quadrado mais caro do segmento acima de R$ 4 milhões está no bairro Vila Nova Conceição, onde o m² chegou a R$ 37.668.
Mas o fenômeno não é exclusivo de São Paulo. O Nordeste foi a grande surpresa: registrou alta de 64,5% nas vendas de imóveis de luxo e superluxo, com 1.946 unidades comercializadas. A região, historicamente associada a casas de veraneio, está se consolidando como mercado de moradia principal para compradores de alto padrão.
"Quando o Nordeste cresce 64% em um ano, isso não é moda. É uma mudança estrutural. As famílias estão buscando qualidade de vida, clima e segurança — e os empreendedores que enxergarem esse movimento antes de todo mundo vão capturar os melhores retornos." — Luiz Fernando Magalhães
Florianópolis também se destacou, liderando o ranking de preço por metro quadrado na faixa de R$ 2 a R$ 4 milhões (R$ 22.918/m²), ultrapassando Belo Horizonte. O CEO da Brain Intelligence chamou a capital catarinense de "tempestade perfeita": crescimento populacional acelerado — mais de 50 mil novos habitantes desde 2022 — combinado com escassez extrema de terrenos em uma ilha com restrições ambientais.
O luxo como economia paralela
O relatório Luxury Outlook 2026 da Sotheby's International Realty — que reportou US$ 182,4 bilhões em vendas globais em 2025, seu segundo melhor ano na história — confirma uma tese que os especialistas do setor já defendiam: o mercado de luxo opera como uma economia paralela ao convencional. Enquanto o mercado geral oscila com taxas de juros e ciclos de crédito, o segmento premium tem dinâmica própria, impulsionado por compradores que pagam à vista e que enxergam o imóvel de alto padrão como ativo estratégico — não apenas como moradia.
"O investidor sofisticado sabe que imóvel de luxo em localização irreversível não deprecia. Em um ambiente de incerteza, ele não foge do imóvel de qualidade — ele corre para ele." — Luiz Fernando Magalhães, CEO da FGM Imóveis
2026: projeção de novos recordes
Com o impulso de 2025, o mercado de luxo brasileiro entra em 2026 com fundamentos sólidos. A CBIC projeta crescimento de 2% para o mercado geral, mas o segmento premium tende a superar esse número com folga. As compras de imóveis como investimento cresceram 20% em 2025, sinalizando que a tendência vai além do consumo — é escolha de alocação de capital.
Para quem acompanha o mercado de alto padrão, os números de 2025 não são uma surpresa. São a confirmação de uma tese: o imóvel de luxo no Brasil está maduro, com liquidez crescente, compradores sofisticados e produto de nível internacional. O Brasil provou, em 2025, que sabe fazer luxo de verdade.


